Fragmentos invisíveis que destroem

Fragmentos invisíveis que destroem não fazem barulho ao cair ao chão, são lascas de silêncio gritando palavras não ditas remoendo no coração. Olhares que se desviam no momento exato não tem a percepção, mas corroem o que sustenta a alma e os sentimentos vão minando a fé e abatendo a esperança, até o que era inteiro desmorona sem nunca ter sido tocado pelas mãos humanas. Os sentimentos invisíveis dilaceram a alma e machucam sem perceber, a ferida é como uma chaga que se tocar volta a doer, é uma raiz profunda que se criou, são como cacos de vidro entrando nos pés e causando dor, os fragmentos invisíveis que destroem nascem na alma quando o coração se afasta da fonte da vida, elas são poeiras de orgulho, fendas abertas para o medo, sementes plantadas de dúvidas lançadas no silêncio onde o coração deixou de habitar. A questão é; quem vai pagar o preço? Quem sentirá o desprezo? Quem ficará parado no tempo? As escolhas são feitas e jogadas no ar, atos são tomados, mas são revelados dentro de cada um, no olhar que se nota o profundo pesar dos fragmentos que cortam, pois são sentimentos que engolem a razão, que sujeita a consciência ao nada lhe deixando abatida ao chão. Não tente silenciar o que tanto te machuca, coloque para fora o que te oprime, talvez possa reverter o dano que a si mesma causou, os cacos são o preço que você mesma alimentou. O poder de enxergar o invisível se encontra em suas mãos, o raciocínio coordenado com coerência gera frutos do entendimento que é a verdadeira compreensão, ele tem o poder de curar, de transformar aquilo que foi danificado pelas suas próprias mãos.

Por Ítalo Reis