Fumaça de dores

Os ais ecoam no ar, não existe paz neste lugar apenas a fumaça de dores paira no pesar de cada consciência, as lamentações se tornaram o assunto principal no palco da solidão, as testas franzidas demonstram as preocupações desta vida banal cada um na sua escuridão particular. As consciências são como as cavernas escuras que por dentro só há calafrios onde o mal goteja sem cessar, não existe tempo para ganharem a vida eterna, a carne não dá descanso para as almas aflitas e com isto o Senhor não se manifestou, não sobrou nenhuma faísca de pureza nestas consciências para que Ele repouse e tome para si esta moradia. Um bordel de portas escancaradas onde tudo que não presta foi cravado, o diabo derrubou abaixo a porta do saber e no caminho estreito não se vê pegadas de inocência, só fumaça de dores para contar uma história com um final devastador, um fracasso absurdo e um vazio horrendo onde no nada fará para sempre morada, uma vida eterna no plano do céu jogada fora, um silêncio ensurdecedor de enlouquecer quem dantes pensava ser sã, um sangrar eterno sem cura e uma porção da única chance de salvação voltando ao céu sem nada nas mãos, triste fim da realidade dos irracionais inconsequentes.

 

Por Milena Gomes