Fui ferida, e não por outrem senão por mim mesma. Golpeei-me pelas costas, fui iludida por suposta insuficiência, julguei-me autossuficiente, faltei comigo, perdi-me e, agora, aqui estou com a alma lesionada. A leitura que trazia aos olhos era turva; em névoas buscava a felicidade. Quanta falta de amor! Faltava-me tudo, exceto dor.
Houve traumas colhidos com o tempo, em que, o que vinha de fora feriu meu íntimo, onde as confianças foram desmascaradas e o que era colo, aos poucos, tornou-se desprezo. Contudo, nada superou as dores que eu mesma causei; são apenas somas das lacunas desenhadas em meu ser. Um caminho que tracei por escolha própria, pois não houve quem pudesse conter os desvaneios que enredavam meus passos.
Sei que, de qualquer forma, sou eu quem pode alternar as passadas, curar as feridas e traçar um novo rumo. Sou eu quem deve arrancar de mim tantos espinhos e sair deste pergaminho que marcou minha história com rabiscos nocivos. As dores são minhas, os traumas são meus, as lágrimas e os medos, também. Não são heranças; apenas moldaram-se à minha trajetória porque minhas mãos rascunharam este trajeto perdido — um mapa sem rumo, uma alma sem prumo, esquecida por si mesma.
Hoje, enxergo uma luz no fim do meu túnel, embora ainda haja sombras pela escassez do amor, mas a esperança tem me acenado incessantemente, soprando em minha face o quanto posso mudar. Basta que eu me incline à vida, a única via para restaurar minha alma.
“As dores são minhas, os traumas são meus.
Mas as mãos que rascunharam o trajeto perdido,
são as mesmas que hoje desenham o caminho de volta.”
Patrícia Campos
Tema Lucinha


