Mar do Esquecimento

As muitas águas não refletirão

o que um dia foi;

Um mar adentrado enquanto havia vida,

mas cujo nado foi em direção ao nada.

Entre ondas gigantes, entrou na onda errada,

desequilibrou-se e foi tomada por estas águas;

Afogou-se nas ilusões perdidas

que fizeram sua maré subir,

elevando-a a um estado de soberba,

julgando ser necessária a si mesma

— e isto lhe bastava.

Sentia-se estrela-do-mar,

julgava-se maior que o sol.

Pensava ter tamanha importância

que superava qualquer astro celeste.

Que audácia e que dó — sim, digna de dó.

Não há nada na Terra que seja maior

que qualquer estrela do céu;

Não se descreve em papel a magnitude

que a menor partícula celeste possui.

Não há como traçar comparação:

são distintas e antagônicas,

uma é morta e a outra é a vida.

Como se comparar ao espetáculo

dirigido pelo Autor da Vida?

Um mar com infinitas e incontáveis curiosidades,

que faz envolver, faz dispersar,

faz qualquer alma atracar no caos das fantasias.

Uma canoa que rema devagar,

sem paradeiro ou destino;

Um mar onde não se encontra caminho

para retornar para casa.

Os mergulhadores mergulham em dores,

esquecem-se das flores que enfeitam o jardim.

O tempo passa, e a alma disfarça;

perdeu sua graça no mar que escolheu.

E, sem perceber a noite que chega,

que não pede licença e espelha no mar sua escuridão,

despretensiosamente, a noite é simplesmente

o início do mar que escolheu se esquecer.

 

Patrícia Campos 

Tema Kátia