O peso da verdade

​Nunca foi e nem será um peso morto. A verdade, por vezes, pesa de forma cruel; não que ela o seja em essência, mas pelo que fazemos dela. Somos nós que desenhamos nossas histórias e, através de nossas ações, podemos tornar a verdade amarga — uma verdade sobre nós que nós mesmos traçamos.

​É preciso deparar-se com a verdade para se auto avaliar. Ela é nua e crua, difícil de engolir ou de se alimentar; mas aquele que a degusta, embora se assuste e sinta sua amargura ao digeri-la, encontra a cura após a digestão. O peso da verdade não se compara a nenhum outro; nem sempre ela precisa ser dita, basta enxergar para que seu peso seja sentido na alma.

​Apesar desse fardo, ela traz a libertação, pois pela verdade nos livramos de qualquer engano. Ela possui vantagens incontestáveis: não há como contradizê-la ou lutar contra ela; será sempre nítida para aqueles que desejam encontrá-la. A verdade é transparente aos olhos puros, um remédio para quem busca curar-se da ilusão.

​Nem sempre estamos preparados para sermos apresentados a ela. Contudo, prontos ou não, um dia ela bate à nossa porta, não pede licença e entra. A verdade não precisa de permissão para se apresentar: ela é o que é. Não há como apagá-la, nem como mandá-la embora. Ela entra, acomoda-se e instala-se em nosso olhar interno. Traz tristeza ao nos colocar diante do próprio espelho, mas também traz o alívio de podermos nos enxergar com sinceridade, refletindo cada canto de nós.

​Pela verdade, temos a chance de encontrar a paz, desde que nos alinhemos a ela e nos corrijamos diante do que ela ensina. A verdade nunca perderá seu valor, nunca será um peso nulo. Os sábios sempre a amarão, enquanto os tolos a desprezarão. E aqueles que a negligenciam se depararão com ela, nem que seja por um instante; mas, quando finalmente perceberem seu valor, será ela quem os desprezará, e eles nunca mais conseguirão ter uma palavra com ela.

 

​Patrícia Campos 🌺

Tema: Kátia