O peso do que não foi dito

O silêncio, diz, diz mais do que o barulho que emitem, clama quieto, com o vazio de seus pensamentos, mas clama com o coração cheio, com a verdade dos olhos e a tristeza da tez. O dizer muitas vezes não pesa, não diz, são confissões confusas de um peito que não se conhece, são alusões difusas, um rabisco que não se preza, um clamor sem prece, um diálogo sem prosa, poema sem rima, espinho sem rosa, pois o dizer pode ser raso, apenas um esboço do que não existe, e o silêncio pode ser a veracidade que coíbe, que comprime, que esquece e finge que não existe, mas que comunica, comunica a falta, a perda, a desordem de sua alma. O peso do que não foi dito, pois é e será, sempre foi, sempre esteve, em um bailar infinito, entre a vida e a morte, entre os celestiais vivos. Doa-se ao pó para trazer cor, para trazer ciência ao que não se conscientiza, para manifestar esta tamanha sabedoria, que grita com o silêncio e se enraíza, cresce, concretiza. Seus ombros pesam, por tantas palavras não ditas, mas sentidas, acumule-as, mas as entenda, cada parte, cada lado de si, para poder dizer, e quando disser, saiba que trará a certeza, que trará não só barulho, mas compreensão, nem será confuso, mas vivo no coração, pois antes de dizer, silenciou, e entendeu sua imensidão.

 

Por Luiza

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