O Peso do que não foi dito

As palavras possuem peso: quando ditas, pesam sobre quem as ouve; quando guardadas, sobre quem as retém. Às vezes, surge o arrependimento pelo que expressamos. Talvez por não tomarmos o devido cuidado ao anunciar nossos sentimentos, acabamos por exteriorizá-los de maneira ríspida, atingindo e atravessando o outro de forma dolorosa — o que nem sempre é a melhor forma de se comunicar.

As palavras vindas de quem respeitamos carregam um valor imenso. No entanto, quando essa pessoa perde a credibilidade, suas falas perdem o vigor; tornam-se vazias, sem força e incapazes de transmitir qualquer sentimento.

Há também as marés silenciosas guardadas em nosso mar particular. Elas parecem perder o valor por nunca terem sido vistas ou ouvidas, mas pesam sobre aquele que as guarda — muitas vezes pelo receio de magoar alguém. Porém, o amor carrega consigo a verdade, e esta, por diversas vezes, traz dor, tristeza e medo.

É difícil ouvir a verdade sobre si mesmo; descobrir que não somos quem idealizamos ser e encarar nossas fraquezas e covardias mascaradas de coragem. Dizer a verdade a quem amamos não é uma tarefa fácil, pois sabemos o quanto o outro sentirá o impacto dessas palavras, e a empatia nos faz compartilhar esse fardo.

Ainda assim, pior do que dizer a verdade é calá-la. Guardá-la para não ferir o outro acaba por ferir a si mesmo. Aquele que retém a verdade deixa de ser autêntico para tornar-se um “maquiador” da realidade — alguém que suporta sozinho todo o peso do não dito, acreditando ter empatia, quando, na verdade, o amor-próprio e a honestidade passam longe.

 

Patrícia Campos 

Tema Ítalo