Os holofotes invisíveis carregam o peso da hipocrisia; sorrisos escancarados em um palco tão lindo não mostram a verdade de dentro. São centenas de poses marcando uma vida ilusória, centenas de closes que disfarçam a sua história. Onde foi parar a verdade? Nos corações eu sei que não está; neles carregam-se a falsidade e a tristeza no brilho do olhar.
Os dias passam depressa e ninguém se apressa em ser; mais vale o que se tem no bolso, só se vale o que se pode ter. Entre status, stories e reels, mostram o que gostariam de ser; é ali, no seu mundo invisível, que a felicidade se estabeleceu. Mas é só destravar a câmera que a mudança é da água para o vinho: o sorriso vira só lembrança e o peito segue vazio.
Entre tantos retratos, vislumbrei a hipocrisia; a verdade dos fatos é que as almas estão vazias. Tentam preencher-se daquilo que não preenche, mas seus “preenchimentos” estão em dia; para si mesmos mentem, fingindo ter alegria. É o retrato da hipocrisia que se vê no olhar das fotos, um mundo que é só fantasia, mas que não se esconde em seus rostos — os quais ficaram sem cor por não seguirem a vida. Um blush avermelha a tez, e nem assim a vergonha se familiariza.
Se reúnem para tentarem unir suas poucas alegrias, mas, quando se dispersam, já lhes cabe a hipocrisia. Unidos em um retrato; na vida real, cada um por si e “Deus por Ele mesmo”. Pois ninguém se lembra do Seu nome, senão para pedir-Lhe a vida ao menos por mais um tempinho, apenas para registrarem mais um momento de suas hipocrisias.
Patrícia Campos
Tema Kátia


