Meu coração não bombeia sangue, mas vida, meus olhos não veem cores, eles as criam, meus passos não pesam com o tempo, eles flutuam, meu caminho é distinto, pois não é deste mundo. O tempo infinito deixa de ser ampulheta, passa a ser oceano, cascata, fonte que não cessa, mar sem fundo, o tempo deixa de ser um empecilho, torna-se irrelevante, os medos caem ao chão, as dores se desfazem, os rancores se esquecem, as mágoas são curadas, segundo os olhos divinos, tudo torna-se ínfimo, segundo o coração de Deus, o maior dos gigantes torna-se pífio. Por isso não temas, que sua casa se edificará na rocha, seu morador será sempiterno, e sua alma viverá em paz, segundo a vontade da vida, segundo os desejos celestes, seu coração transborda sabedoria, sua tez com o novo se reveste. Vivo, vivo em cada célula, em cada átomo de si, corre pelas veias a alegria de enxergar o imensurável, o impensável, que nos percorre e nos rodeia, mas quem observa o inimaginável? Tão perto, tão presente, seu canto toca minha face, sua respiração percorre minha mente, um só corpo, apenas um ser, uma alma, um espírito. Muito além do que veem, muito além do que podem tocar, mas tão perto que se sente, que pode abraçar, um selo cravado nos céus, uma aliança desenhada com aquarela, as sete cores no papel, contornou nos dedos divinos seu anel. Segundo o coração de Deus, por quem devemos andar, Ele dissipa todo breu, e purifica aquele que se entregar, somos casas, somos casulo a transformar, apenas aqueles que enxergam, conseguirão se libertar.
Por Luiza
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