Viajo com o trem da vida pelos trilhos do tempo e vejo a fumaça que ficou para trás. Nela ficou marcadas lembranças, momentos e sentimentos. Em algumas vejo alegria e um sentimento de paz; em outras há momentos de felicidade, mas logo em seguida surgem sentimentos de tristeza, vergonha e arrependimento. Há momentos de clareza e momentos de solidão. Tudo ficou para trás, mas carrego em meu peito meus erros e acertos, deixando que tudo se torne em aprendizado. Pois no trem da vida não há pausa, e por isso não podemos ficar presos ao passado. Como sou o maquinista deste trem, faço de tudo para seguir viagem e chegar ao fim destes trilhos. Não sei a distância nem o tempo, mas chegará o momento de desligar os motores e descer na estação da eternidade. E, se trilhei pela vida, terei o chão do Senhor para pisar. Mas, caso eu me perca ou me prenda ao passado, cairei no vazio eterno, sem nenhuma chance de redenção. É possível ver inúmeros trens ao meu redor, e cada um segue um caminho. Os trilhos são os mesmos, mas a direção é o maquinista que escolhe. Vejo vários trens muito ajeitados, muito cuidados, muito além do necessário. Alguns nem parecem mais trens, pois de tanto mexer neles viraram outra coisa. Outros vemos parados no meio do caminho, lamentando o que perderam ou o que deixaram de ganhar. Também há aqueles perdidos, sem saber para onde seguir. Assim é o mundo: cheio de consciências, mas poucas estão realmente no caminho da vida. Muitas querem apenas aproveitar o tempo com a carne; deixam de viver para o Senhor para servirem ao efêmero. E quando chegar o dia de partir, se depararão com a solidão eterna.
Por Luiz Gustavo
Tema sugerido por Michele


