Uma falsa felicidade

Sorriso mascarando a verdade,

Um ar de quem está encontrando a paz,

mas lá dentro, o peito queima,

condenado por estar totalmente encarcerado

 

Fora de função se encontra,

mas não consegue nem ao menos perceber

O foco principal é a aparência,

e diante dela todos querem estar em evidência

 

E a vida fica calada, sem voz,

rejeitada pelos néscios de coração

A justificativa é uma só:

“Eu tenho que viver agora”,

pois não enxerga a salvação!

 

Andam de um lado para o outro

e nunca mostram quem realmente são

Enganam a si mesmos e querem enganar os outros,

mas, diante da vida, estão totalmente nus

 

Em seus olhos não reluz a vida,

e o semblante se encontra esmorecido

Tentam, a todo custo, mostrar que estão bem,

mas, no fundo, estão destruídos!

 

Não se encontram nesse labirinto

e não se identificam com nada

O peso que carregam é a dor

que machuca por dentro da própria alma

 

Conhecedores da verdade,

mas de que adianta,

se ela se encontra silenciada?

Escondem a verdadeira face

e vivem em constante vaidade!

 

Um turbilhão de sentimentos

cresce dentro dos corações

e engole os reféns deste tempo!

Ninguém consegue se enxergar,

pois, para a vida, já não resta tempo

 

A vida fica jogada às traças, sem ninguém para conversar

Os tolos querendo ser sábios,

e os sábios, calados, sem querer se expressar

 

Tudo se inverteu,

o mundo virou de ponta-cabeça

Uma desordem danada,

como se o céu tivesse fechado a porteira!

 

Quem se encontra são

neste mundo perdido?

Tantas almas degeneradas,

perdidas em seus próprios destinos!

 

Será isso um desatino?

Será que já não conseguem acreditar na vida?

O que impede a alma de seguir, se ela nem em si mesma consegue acreditar?

 

Tantas perguntas escondidas,

que se fazem sem ninguém perceber

Mas aquilo em que acreditamos

torna-se perceptível quando temos algo a fazer

 

É ali que se revelam as intenções,

os desejos mais profundos e as nossas buscas,

pois Deus sonda cada coração

e espera que a alma a Ele dê honra e se curve!

 

Por Ítalo Reis