Quem as nota? Suas notas não se notam;
elas tocam, mas quem as toca?
Elas são serenas, como as águas de um rio brando e límpido.
A vida toca aquele que se permite ser tocado,
como um instrumento de corda que dá corda à própria vida;
toca como uma percussão a quem sente o batuque do coração.
A vida toca e não é tocada:
ela afina os desafinados, equaliza os descompassados.
Ela é a batuta da alma, onde o maestro é invisível a olho nu,
mas aquele que se despe do pó o enxerga nitidamente.
As notas serenas da vida são tão singelas
que somente os corações sensíveis conseguem ouvi-las.
São notas sentidas na alma, que acalmam, que exalam a sonoridade divina;
sintonizam-nos às suas ondas, moldam-nos como uma música clássica…
Seguir o compasso da vida traz à alma movimento —
molejo de cair o queixo, remelexo dentro do tempo.
O timbre da vida ecoa, sobre as almas sobrevoa,
balança como as árvores; uma sinfonia com classe.
Na simplicidade se ouve a música de uma nota só: Sol.
Sol que alegra o girassol, que traz à alma o farol,
iluminando este palco onde a música da vida é tocada no replay,
nas puras almas de fair play,
que dançam conforme o ritmo daquele que lhes trouxe luz.
— Patrícia Campos
Tema Luiz


