Cela Aberta

De que adianta a porta escancarada,

se a prisão se fez morada dentro da alma?

O perigo ronda enquanto a noite cai,

o céu vigia o passo que não vai,

entre dores no encalço e o sorriso falso,

vives no vazio, presa ao próprio nada.

Uma solitária dentro da solitária,

perdida no tempo, em busca de sustento.

Teus olhos longínquos caminham ao vento,

mas deixaste a cela aberta… e foi um erro.

Os males adentram, a esperança se despede,

e o pensamento enfrenta o que a alma não despe.

Todos os dias o pó te persegue,

deixando-te entregue a tantos tormentos,

amontoados contigo no mesmo relento.

Eles farejam teus movimentos,

destroem direitos, riem dos teus lamentos,

olhando-te por dentro, roubando-te o alento.

Por que te prendes a essas paredes,

sem olhar o que há fora da tua janela?

Uma cela aberta onde a alma não se conserva,

não se conserta, não se desperta nem se liberta.

Quiçá pudesses tu enxergar que, no teu âmago,

há um lugar puro, capaz de te resgatar.

Se lutares com toda a tua força e dignidade,

buscando a verdade para alcançar a felicidade…

Pois só é feliz quem vive por ela,

quem não aceita quimeras nem misérias,

nem as migalhas que nunca regeneram.

Sai dessa cela e não olhes para trás,

caminhe firme em busca da tua paz.

Ela está mais perto do que imaginas:

está guardada em ti, esperando o teu sim,

pois só tu podes herdá-la, enfim.

 

Patrícia Campos 

 Tema Kátia