A voz da esperança

Disseram para buscar a luz neste túnel interminável, um ponto que não se traduz, mas se sente no imaginário. Disseram que há esperança, em um conto tão precário; era para ter confiança, que o fim reviveria o cenário, mas onde encontrar esta continuação? Onde encontrar meu coração? Andando em círculos não se chega a lugar algum; ora a parede me vê, ora encaro a parede, sem sair deste lugar. Realmente, não haveria luz, e como encontrar a saída se não saio deste ciclo? A voz da esperança grita, mas baixo, como se estivesse longínqua; uma semente frágil, mas ela grita, para que a caverna se abra, para que a alma saia, para que o tom se encaixe e tudo vire alva.

Dia após dia, permanecer em pé, permanecer, crescer, nascer; busco um recomeço, longe desta falta de luminosidade, vir a ser, nos braços da verdade, onde habita o sol, onde as noites são claras, as notas afinadas, o tempo limpo e a terra casta. Paraíso, minha própria alma, estado vivo, alma e espírito, casamento escrito, previsto, sentido; iniciou-se em Noé e, hoje, as cores precedem seu nome, desenham os céus e resplandecem nas marés. Se aprender a escutar essa voz, longe irá: a voz que guiou Abraão, Isaque e Jacó; a voz que calou o leão, adormeceu o fogo e dividiu as águas; a voz que rasgou o céu e cobriu de chamas a pedra, que fez a terra tremer e seu povo ganhar a guerra. Essa voz que nos habita, que nos grita, mas normalmente estamos longe para escutá-la; porém está aqui, presente, esperando sua chegada. A voz da esperança, a voz do céu, que clama aquela criança que ainda não havia posto o véu; a voz divina, a voz celeste, chama sua alma infinda para adornar-se com suas vestes. Neste túnel interminável, encontro, enfim, a luz que sempre esteve em meu santuário, aguardando-me, apenas.

 

Por Luiza