Não adianta chorar

Como quer alcançar a vida

Se calou a voz da razão?

Fechou os ouvidos para a resposta divina

Mudou o rumo do seu coração

 

Os pés trilham caminho oposto

Pisadas escorregadias da ignorância

Semblante caído retrata o desgosto

Colheita da própria arrogância

 

Sentiu no âmago forte impacto da verdade

Segurou a lista da vida nas mãos

Soberba exacerbada, tirou-lhe as sandálias da humildade

Perdendo toda força na ação

 

O céu alertou para não bobear

Mas insistiu galopando no cavalo do diabo

Agora não adianta mais chorar

O tempo da ampulheta foi cessado

 

Era necessário escutar o grito interno

Que na alma em silêncio soava

Hoje já degusta um pedaço do inferno

Por não dar atenção a vida que te acenava

 

Está tudo errado

Tudo do avesso

Não existe soma da igualdade

Ninguém por Deus sente apreço

 

Não trocaram de existência

A carne venceu a batalha

Ser natural da consciência

Não derrubou própria muralha

 

Todos rejeitaram o vinho da vida

Desprezaram o pão divino do céu

Nenhum avivamento, só vemos almas adormecidas

Encarcerados vivendo como réus

 

Por Michele