O amor arranca a dor. Não há outra forma de arrancá-la senão pelo amor. Ele transforma, renova o coração, tem forma própria e transborda na imensidão.
Quem compreende o amor? Quem conhece a sua hermenêutica? O amor é a própria compreensão; é a empatia que nos faz sentir o que o outro sente, que nos permite colocar-nos no lugar do próximo e entender perfeitamente o seu sentimento. A dor que agrava as almas é, justamente, a falta de amor. A razão da nossa existência não é compreendida, é apagada pela ignorância, ocultada de forma fria por quem não faz questão de conhecê-la.
Como se pode arrancar a dor da ignorância se ela foi abraçada de forma tão vulcanizada? Seria necessário muita compreensão para remediar essa dor, para que ela fosse diluída até deixar de existir. Quem quer viver sofrendo? E quem, de fato, faz algo para emergir do sofrimento?
O amor preenche as lacunas deixadas pela incompreensão. Ele traz luz a cada alma, traz aconchego e o calor necessário para mantê-la aquecida — a ponto de irradiar o próximo com uma luz que se iguala à solar. É o calor da vida que transcende as paredes da matéria, atravessando-as e provocando o encontro de almas puras que desejam se unir pelo mais genuíno sentimento.
A compreensão é o remédio que cura a alma da ignorância. Aquele que consegue enxergar com clareza para dar passos firmes extirpa de si a dor causada pela falta de amor. A verdade é que amar faz bem à alma que recusa ser refém do desconhecimento, que não aceita se manter anônima dentro deste infinito e não admite apenas vir, tornar-se e deixar de ser.
Não estamos aqui por acaso. Há um sentido lógico para estarmos exatamente neste lugar, e a jornada não para por aqui. Há uma sequência no caminho da vida que apenas àquele que permanece no amor é capaz de compreender.
Por Patrícia Campos


