Quando o riso vai dando lugar ao silêncio, quando o brilho vai se ofuscando, quando as pétalas vão caindo, quando parece estranho, mas ao mesmo tempo tão conhecido, um sentimento calado, mas que grita por ouvidos. Aquilo que deixamos quieto, aquilo que não queremos mexer, aquilo que convivemos e muitas vezes esquecemos, apenas por não querer, aquilo que não enfrentamos, mas devemos, aquilo que negamos, mas temos, aquilo que esmagamos, mas na verdade, aquilo que nos esmaga, nos apavora, nos assola, nos coíbe, nos prende. Aquilo que se chama covardia, aquilo que se chama medo, aquilo que tem rosto e nome, aquilo que tem cor e peso, aquilo que não vê, mas sente, qual seria o seu sentimento silencioso? Compara-se a uma doença silenciosa, uma chaga em um corpo são, uma mancha em uma tela branca, um desafino em uma orquestra, uma vírgula equivocada em um cálculo matemático, um erro, e nada mais, um erro escondido,
deixado, esquecido, mas o que pode vir a acontecer se deixa-lo como está? Se passar por cima e viver com aquilo nos assombros? Assombroso, de fato, ser assombrado por seus atos, por seus sentimentos, por seus contos rasos. Difícil é enfrentar o que se teme, mas libertador é viver depois de guerrear e vencer. Fugir de si mesmo é uma tarefa impossível, mas que com muito afinco é tentado, quando pararmos de fechar os olhos que veremos a verdade sobre nosso estado. Fantasias morrem cedo, a verdade se perdura por ser o que é, infinda em todo caso, liberta sua alma e colore os tons acinzentados. Sentimentos silenciosos são aqueles que silenciamos, mas até quando? Viva, e deixe o tempo curar, não precisamos fugir para nos libertar, muitas vezes é enfrentando a pena que o réu vem a mudar, enfim, a chave está nas nossas mãos, basta gira-la para começar.
Por Luiza
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