Sonhos vazios

Fechava os olhos e o que tinha era escuridão, abria-os, mas desta mesma forma permanecia, buscava nos becos seu alento, buscava nos sonhos a cura dos tormentos. Para onde vão os passos seguintes? Nem mesmo ele sabia, sua história era tão sem vida, que saída, não mais havia.

Uma roda gigante parada no tempo, um círculo infinito, uma casca oca, vazia, crua, fria, um casulo sem corpo, sem esperança, uma alma que não sorria. Tantos sonhos, tantas fantasias, qual será o fim para tanto? Afoga-se pela correria, perde o fôlego pelo peso em seus ombros, naufragou em alto-mar, e a fúria de seu coração não lhe deixou levantar. Para quê se agarrar em tantos nós perdidos? Para quê se entregar ao medo dos adormecidos? Sonha acordado, sonha dormindo, uma vida dissoluta, uma vida fugindo, foge de si, de suas memórias, de sua realidade, foge do que não consegue enfrentar, mas no fim, tudo, sempre estará lá, no fundo, esperando, te esperando voltar.

Sonhos vazios, sonhos caídos, pés no abismo, cabeça flutuando, sem chão para encontrar base, sem amor para compreender, vive caindo, até parar de viver e continuar caindo, caindo e caindo, por toda eternidade, sonhou demais e não se encontrou com a verdade, quem é ou quem quer ser não importa mais, pois os sonhos já consumiram tudo o que imaginava como paz, tornou-se pesadelo, procurou-o em seus delírios, ao menos com medo, se sente um pouco mais vivo.

 

Por Luiza

Tema Kátia

Categorias

Postagens Rescentes