Correntes invisíveis ao pescoço, pernas presas em blocos de concreto, boca amordaçada, sem poder andar nem falar. Viajo em meus pensamentos para poder me aliviar. Sei quem me calou, sei quem me acorrentou. Como condenar a mim mesmo, já estando condenado? Sem lembrar onde coloquei as chaves da liberdade, viajo em meus pensamentos.
Sinto o vento e o desejo; sinto o mar, e sua brisa me acalma. Mas, quando desperto, tudo se esvai: a calmaria, a alegria e a paz. Onde posso encontrá-las além dos meus pensamentos? Muito se passou, e já nem se sabe o que é real ou ilusão. Muito pensei, pouco agi. Até quando viverei de acordo com as leis que me causaram tanta dor? Por mais tempo viajei e, entre várias sensações, algo me tocou. Ao me enxergar, lágrimas escorriam em meu rosto, que estava consumido. Gostei daquele toque e voltei para encontrá-lo. Eu o sentia próximo, mas não o alcançava.
Quando o sol se punha, eu voltava e sempre me lembrava daquele que um dia me tocou. Muito tempo se passou, e resolvi encarar minha realidade. Abri os olhos e me vi onde eu mesmo me coloquei. Senti a dor e deixei de me calar. Por não saber o que dizer, apenas soube gritar em busca de alguém que pudesse me ajudar. Esta é apenas mais uma consciência que se fez refém do mundo, e o maior arrependimento é ver a chave da liberdade em suas próprias mãos, mas não ter forças para fugir dessa prisão.
Por Luiz Gustavo

