Quando a alma perde o caminho

Olhar fixado no horizonte, à procura de uma resposta, mas você não nota a vida e, para ela, não abre suas portas. O que você foi fazer do lado de fora, sendo que a vida sempre te alertou? Ela te chamou tantas vezes, mas você não deu ouvidos e nem o seu chamado escutou. Não busque justificar o injustificável, pois a vida te acena a todo momento. Ela te oferece oportunidades para que sua alma não se perca. Mas você se tornou tão negligente que não soube se atentar; a soberba subiu à cabeça e você perdeu aquele brilho no olhar. E agora, como pegar o caminho de volta? Se suas pegadas retrocederam, será que haverá reversão ou da condenação será refém? O tilintar ecoa nos ouvidos e se torna ensurdecedor. A culpa cai sobre seus ombros por você mesmo se colocar nas mãos do opressor. E como mudar este quadro que você mesmo colocou como empecilho? Ergueu uma muralha à frente, e ninguém consegue tocar esse coração frio e insensível.

Nem as palavras mais doces da compreensão tocam a sua consciência, porque ela se danificou pelo engano e traz consigo as marcas da desobediência, e fica distante da indulgência. Faça uma pausa para observar e veja onde seus pés pararam. Analise friamente seus passos, para que não carregue mais essa dor do passado. Tente retornar ao lugar onde deixou escapar a aliança, pois ela foi perdida pelos seus próprios devaneios, quando ainda se aventurava em suas andanças. Pare e reflita sobre tudo o que a vida te mostrou. Tenha a sensibilidade aguçada para perceber que ela é o seu único penhor. Não busque encontrar culpados, nem tente apenas se esquivar. Assuma a responsabilidade e também os seus riscos. Talvez, então, você consiga construir um novo lar. As feridas estão expostas, mas todas tem uma solução. Nem tudo está perdido, a não ser que você escolha seguir na contramão. Fortifique-se no Eterno e tente ouvir o silêncio falar. Cale-se diante das instruções dos céus, para que sua alma, em solitude, possa novamente se transformar.

 

Por Ítalo Reis