Olhos marejados, cabeça baixa, passos desgovernados e uma voz embargada tamanho tormento por sentir o peso da culpa que carrega em seus ombros caídos, consciência confusa, não sabe para onde ir, os seus pensamentos vagos causam tantas confusões que a mente chega a endoidar. Pobre alma errante! Não sabe de onde veio, para quê veio, nem ao menos para onde vai depois que os olhos fecharem. Acostumada a caminhar ao lado do opressor e mesmo sentindo o ardor dos desejos perfurantes não hesita em obedecer o seu falso senhor, enquanto a vida verdadeira acena, ela nem sente a brisa do vento celestial refrescar. O seu rosto, prefere o calor do mal que racha e confunde o pensar, sem raciocínio lógico se divide em meio aos prantos, a alma arde e sangra, mas não consegue ver a mão divina estendida dentro de si mesma, ao invés de desabrochar e sentir a leveza das palavras benditas, murcha as suas pétalas a cada esquina, pois congelou o coração e para esconder a tristeza da sua vergonha troca de máscara como se trocasse de roupa. O tirano da morte encarcera as consciências de modo que nenhuma ouve a verdade do espírito de Deus e enquanto o libertador vive preso e amordaçado dentro delas, o diabo anda ao seu derredor e com a cauda do engano as arrastam até as profundezas do inferno!
Por Milena Gomes


