A princípio, estou aqui para falar comigo. Peço que me adentre em meus pensamentos, que revire a minha caminhada, avalie os passos que dei e o que consegui recolher de bom pela estrada. Confesso que falhei, e não foram poucas vezes; perdi, mas me encontrei. Reconheci que, em meio ao meu caos, pude perceber que ainda havia um lugar de cais, lugar este que despediria meus ais. Ainda sou falha, não consegui me desvencilhar de sentimentos que me provocam, de pensamentos que me sufocam e de ações que não suporto. Foi tudo isto e mais um pouco que encontrei em mim, e sei que um dia irei partir. E, assim, não posso prosseguir; preciso cada vez mais refletir, admitir o mal que habita em mim e, dele, com destreza, me despir, antes que chegue o fim. O tempo tem passado tão depressa e a minha pressa não cessa. Me vejo o tempo todo pela fresta, pelos olhos que me fazem refletir, que não posso me deixar ir assim, que preciso a cada dia cuidar muito mais de mim. Eu sei da força que me deram, do presente que me propuseram, da vida que me acendeu desde o ventre que me concebeu. Foi a esperança que me prometeu que lá na frente haverá um reflexo meu, eterno, vívido, mas que é preciso correr um caminho interno, singelo, para que eu possa de fato me tornar feliz. Aqui tudo passa, e mesmo estando aqui, tudo isto é tão sem graça, porque realmente não tem a graça Daquele que quer que sejamos, assim como Ele, eternos.
Patrícia Campos


