A corrida dos ratos II

Olhares marejados de tristeza,

Estampados em suas faces.

A correria os rodeia dia e noite,

Na busca incessante por suas vaidades

 

Gananciosos, cobiçam coisas alheias,

Olhos esbugalhados diante do nada,

Buscam satisfação em grandes besteiras,

E vivem sem eira nem beira,

Numa existência desorientada

 

Contam mais com a sorte

Do que com a vida que pulsa

Deixam a liberdade jogada fora

E vivem presos em suas próprias loucuras

 

Cobram dos outros uma postura digna,

Mas sujam as mãos para enganar

Se podem, trapaceiam na cara dura,

E jamais se predispõem a ajudar

 

Corações sujos e mal-intencionados

Perderam, por completo, a pureza

Vidas jogadas na calçada fria,

Sem encontrar o caminho da própria essência

 

Como falar de amor neste mundo,

Se o ódio pelo próximo se espalhou?

A irmandade nunca existiu de fato,

É apenas uma palavra para aliviar a dor

 

Já não reconhecem um semelhante,

Nem se dispõem a estender as mãos.

Esperam consideração vinda de fora,

Enquanto esquecem de abraçar o próprio coração

 

Até onde isso vai, não sei dizer,

Mas sinto muito em ter de falar:

A compreensão passou de largo,

E os corações só aprenderam a chorar

 

Aquilo que um dia plantaram, agora colhem,

E tudo vem como um furacão.

Não deixam a mente repousar em silêncio,

Pois se perderam nas próprias ilusões

 

Não há como conter tamanha loucura,

Nem como fechar os olhos para o que vejo

A corrida dos ratos acontece a todo instante,

Na perseguição ao cifrão que alimenta seus desejos

 

Por Ítalo Reis