O frio beijou minhas bochechas, não para trazer frieza, mas para colorir os galhos com as cores dos ipês, eu senti sua voz me avisando que não é falta, são os olhos de quem vê, caso nada tiver, nada terá graça, mesmo olhando atentamente, a cegueira permeia e enlaça. São as quatro paredes, prendem, coíbem, são ilusões disfarçadas, deveres que inibem, o tempo assiste ao longe, mas sempre presente, esperando as cortinas fecharem para buscar o narrador, quem sente a vida passar? Nasce um dia, morre um dia, brotam as flores, murcham as flores, o ciclo da vida, renova a cada estação, seja inverno, primavera, outono ou verão, quem dita as regras é o próprio coração. Um estado, um espelho, reflexo do que é por dentro, o que carrega, o que alimenta, dita seu fim, mostra seu intento. Tudo desenhado pelo próprio Criador, não há atalho, não há meios, são dois caminhos, um de glória e outro de perda e dor. Enxergar a verdade não requer esforço, é preciso apenas abrir os olhos, aceitar os fatos, mas a verdade para muitos é um inconveniente, por isso é posta de lado, esquecida nos cantos da alma, mas um dia não terá para onde fugir, pois como o ditado prega: “a mentira tem perna curta”, e sua curta vida chegou ao fim, o frio para esta alma não trouxe cores, mas a trágica despedida, por isso questiono, o que quer para si? Tudo depende das escolhas, e do caminho que quiser seguir.
Por Luiza


