Carta de alforria

A vida neste mundo passa tão depressa, tudo acontece num piscar de olhos, o dia começa e logo se acaba, é como se o tempo fosse pouco para viver nesses finais dos tempos, tudo está se acabando e ninguém está vendo, estão destruindo o lugar que moram e o povo vê como normal a própria catástrofe, isso aqui não tem mais sentido, a cerca foi derrubada e tudo tornou-se em um tribunal sem amor, uma terra sem lei, um hospício humano, loucos com a razão perdida, elo não encontrado, funcionalidade só para o mal, desligaram-se de Deus e ligaram-se no diabo, zumbis sem luz, vida não reconhecida, tudo perdido, tudo está perdido, o que ainda querer deste lugar? Isso aqui só causa tristeza, pois vejo um mundo já despedaçado com consciências que nem sei o que dizer, até os passarinhos cantam tristes, pois tudo aqui está do avesso, não! Eu não quero ir mais lá fora, eu mesma me prendi dentro de mim, dentro do meu universo, porque a vida encontrei e a ela me enlacei, não consigo mais deixa-la, faz parte do meu eu, a vida que me abraçou e abrigo me deu, não! Não a deixarei, suas mãos não soltarei nunca mais, o olhar no fundo dos olhos me prendeu em um só coração, somos uma só vida, intento, caminho, minha consciência virou para o lado inverso onde tudo está mudando, novas visões, sentimentos, decisões e tudo por uma única causa e objetivo, nada é forçado ou obrigado, mas é pela união de sentimentos pela vida que me impulsa a ser e sentir a reviravolta interna, o senhor está a me refazer, a me reconstruir. Da vida provei o sabor do mel, da sensação de ultrapassar ainda em vida o portal do céu, o poder de esmagar a morte, de sentir o sangue real correndo em minhas veias, de voar alto até o reino santo e ter com Deus a minha libertação do Egito, da senzala de dores, das correntes que feriam meu corpo, da minha carta de alforria, a salvação da minha alma, pois meus últimos dias nesse mundo quero passar presa no amor do meu senhor e livre para cavalgar na terra prometida e não engaiolada como escrava salivando a liberdade.

Por Maria Lúcia

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