Colecionador de sentimentos

Vamos medir as coisas e observar a proporção que cada ato voluntário ou involuntário toma. Há muitos ouvidos atentos ao que a boca diz; e mais ainda ao que os atos demonstram. Por isso, é fundamental se preencher da vida e não dar espaço aos infortúnios que insistem em permanecer. Esses são guardados como relíquias: sentimentos que se proliferam e adoecem a alma de tal maneira que, muitas vezes, ela nem sabe o motivo. O preço a ser pago é estar preso, engaiolado dentro daquilo que ela mesma colecionou. As memórias não são as melhores, pois a vida dissoluta que levou a moldou e ensinou, desde cedo, o que é lutar sem desistir, mesmo carregando dor. Mesmo com tudo ruindo ao seu redor, teve que se manter indestrutível. Mesmo querendo falar, teve que se conter, e isso foi se transformando em sentimentos invisíveis que, por vezes, voltam a te assombrar. Eles cutucam e questionam: por que não disse, em vez de silenciar? Cai-se naquele ditado: “Melhor um sábio calado do que um tolo falante.” Às vezes, a melhor resposta está diante dos seus olhos, mas, para ter uma melhor percepção, é preciso ouvir a si mesmo e calar as vozes externas que insistem em querer te oprimir. Quem sabe o preço de cada luta dá valor a cada suor derramado, a cada choro contido, a cada obstáculo vencido, pois é um trabalho que fazemos em conjunto com o Senhor, que sabe exatamente onde mexer e o que deve ser modificado para o nosso próprio bem. Muitas vezes não compreendemos os desígnios de Deus, mas só precisamos ouvi-lo e obedece-lo, sem questionamentos, sem murmurações. É assim que a vida nos ensina, com sua simplicidade. Podemos, sim, colecionar sentimentos que fazem bem à nossa alma, aquilo que é saudável e que nos faz prosseguir leves, sem carregar pesos desnecessários. Pois o percurso exige muita resiliência e sabedoria para sabermos lidar com todas as adversidades que surgem em cada batalha. Um guerreiro carrega suas marcas e suas dores, mas, no final, o dever cumprido se torna um prazer inefável, que não há como descrever apenas em palavras.

 

Por Ítalo Reis