É inevitável a defesa quando se há conexão; torna-se incontestável a acusação. Os limites ultrapassam a lei e o coração fica condoído — um condor doído, uma “liberdade” ferida pelo engano, chaga aberta pela incompreensão.
Deveria, sim, defender-se com unhas e dentes a verdade. Esta não requer fiança, nem admite desconfiança; por ela, guarda-se a esperança de que a alma possa caminhar diante da justiça. Defender o efêmero, não importa o gênero, é o mesmo que abraçar uma causa perdida, afundada em mentiras e sem fundamento. É uma defesa descabida, uma porta interrompida pelo algoz da vida.
Deve-se defender, implacavelmente, a verdade do que se sente. Não de forma inconsequente, mas genuína e desmascarada, sem armas, extraindo de si toda falha para que o argumento tenha valia. Que sua boca expresse palavras de resgate à alma — à sua própria alma — para que ela não se perca em destrezas vazias, trazendo-lhe a sentença por defender o réu que em ti sobreviveu.
Que suas unhas sejam prova de luta, e que seus dentes não sirvam apenas para mastigar o que não convém. Que eles saibam cortar de ti todo o mal e triturar apenas o alimento útil, fazendo com que a digestão de cada palavra traga a compreensão do que devemos advogar, para que a verdadeira liberdade, enfim, alcance a nossa alma.
Patrícia Campos 🌺
Tema Rejão


