A contemplação é constante, mesmo aos olhos dispersos; a sabedoria emana, incessante, neste pequeno universo que cabe em um verso. O envolto não se indaga e, ainda assim, sua ação não cessa. Todos os dias parecem iguais: nasce o sol e depois se deita; a lua chega, permanece por algumas horas e se vai.
O ar continua por aqui, em seu silêncio, servindo a todos — um herói sem capa, sendo inspirado mesmo quando não serve de inspiração. Ele, por si só, já bastaria para despertar o interesse sobre a evidência da vida.
A movimentação assídua não desperta curiosidade: andam, falam, comem, dormem. No dia seguinte, nada muda. A boca muda continua sem fala, a alma se cala e a esperança permanece em senzala. A sabedoria repousa como um livro em uma biblioteca esquecida, coberta pelo pó, onde seu título já não se pode ler.
A evidência de que há algo por trás de tudo isto não é contada; uma história eterna, defenestrada por mãos não inocentes. Não há como inocentar o poder do raciocínio: ele nos mostra tudo, tão nítido, sem deixar vestígios de confusão — a menos que não o coloquemos para engrenar.
Pelo raciocínio, conseguimos desbravar tantas evidências que só pela consciência é possível enxergar. A vida é a prova de que estamos aqui; e estarmos aqui evidencia que há um Criador. São evidências sobre evidências; não há como escondê-las, nem fingir que não existem para permanecer no anonimato. É evidente que não estamos aqui por nós mesmos; deveríamos abrir precedência e admitir que somos parte Daquele que quis que fôssemos.
Patrícia Campos 🌺
Tema: Jeane


