O resgate da alma

Ainda tão nova adentrou o mar,

sem saber como nadar.

Apenas foi, sem medo do que pudesse enfrentar.

Por falta de experiência, não mediu a consequência;

igualou-se a uma criança em bicicleta sem freio,

descendo ladeira em pleno anseio.

Foi ao fundo do poço, sem rumo,

adentrou lugares confusos.

Não se reconhecia dentro da própria fantasia;

viu-se perdida, sem vida, mas viva.

Apenas sentia a sua agonia

e tanto queria poder se encontrar.

Voltar à beira do mar, poder se olhar;

refletir-se nas águas, não como Narciso,

mas para encontrar seu juízo, seu destino,

e quem sabe o paraíso, longe deste mundo perdido.

Fechou suas janelas, clamou por uma fresta,

na busca da luz que a atravessasse,

para que conseguisse encarar sua face.

Olhar seu lado direito, arrancar seus defeitos,

mudar os seus feitos, transformar o peito.

Quando o amor é maior, dissipa as trevas.

O arco e a flecha, mirados ao alvo,

atiram e acertam: é a vida que rega

as terras eternas que se voltam a ela.

A alma que clama por seu resgate

vê a vida invadi-la; sem pressa, não cessa.

Acomoda-se por toda a sua imensidão,

como as águas que inundam as casas abertas

em dias de imensa chuva.

Enquanto a alma clama, o braço do Senhor se estende

para todo aquele que entende:

em si mesmo está seu resgate.

Ele te tira da dor e da morte, preenche de amor,

cicatriza o corte, eleva-a tornando-a forte.

Muda seu porte, traz toda a sorte

de uma alma que enfim tornou-se feliz.

 

Patrícia Campos