O vazio dos que possuem tudo

Gana de abraçar o mundo, fazer com que ele caiba em sua palma, ter domínio do jogo, ser o líder, o rei, o chefe; ser o maior e mais poderoso, independente da ocasião ou da busca. Seja para ser o mais rico, o mais importante ou o melhor em algo, apenas deseja estar em primeiro lugar em seu sonho. Essa busca é como cavar um buraco até encontrar seu fim. A cada pá de terra retirada, mais fundo se desce. E, quando menos se espera, tudo o que foi conquistado é soterrado, sem importância de quem foi ou do que alcançou. Pensou estar se preenchendo com suas vontades, mas a carne é uma usurpadora da consciência. Ela a manipula e se faz desejada para receber toda a sua atenção. E, como a consciência é fraca, a carne consegue usá-la e desfrutar dela como não deveria. A consciência se preenche de algo tão passageiro e tão fugaz que, quando finalmente conquista aquilo que tanto desejava, a vontade se esvai como um sopro. É tão rápido que mal se sente o gosto da realização. E, quando termina, precisa encontrar mais um objetivo neste mundo para correr atrás. Assim são as consciências que restaram no mundo: possuem tudo, mas por dentro são vazias. São como um vaso pintado com folhas de ouro, mas que em seu interior não passa de uma cerâmica comum e vazia. Tudo o que buscaram está do lado de fora, enquanto o interior, que deveriam se preocupar em preencher para a vida eterna, foi ignorado. Até porque não se preocupam com o Criador, mas sim com as outras consciências. Pensam: “O que elas vão pensar ao me olhar, se eu não tiver nada para mostrar?” Então a correria não para. A consciência se fez refém de si mesma e cava a própria cova. Coloca no pescoço a corda que deveria levá-la ao céu e acaba sufocada por este mundo, sem conseguir mais escapar depois de se deixar cercar por ele.

 

Por Luiz Gustavo