Que meus olhos sejam sinceros,
a ponto de me observarem,
e enxergarem meus próprios erros
para que eu possa me consertar.
Não há nada melhor que a liberdade
de tudo o que nos aprisiona
ou nos faz, na estrada, tropeçar.
A esperança é que a caminhada seja leve,
que este tempo de espera seja breve,
enquanto minha alma ferve,
e meus olhos, em silêncio, chovem.
Busco alcançar tudo o que me seja lícito,
que meu coração solícito
deixe tudo em si bem explícito;
E que em linhas fique escrito
um caminho desenhado e bonito,
eternizando o infinito
em meu peito, antes tão aflito.
Que se torne restrito
apenas o que não for bendito.
No mais, que tudo seja transbordante,
em sentimentos vibrantes,
mais preciosos que diamantes.
O que for inconstante,
que permaneça distante.
O efêmero e o provisório,
quero longe do meu território;
arrancarei de mim todo opróbrio
para tornar-me cada vez mais sóbria.
Quero abrir minhas janelas
para vigiar o meu próprio espaço,
colocar-me no compasso,
circulando cada um dos meus passos.
Não desviarei o olhar de mim,
para que eu permaneça atenta,
sem desviar meus pés da estrada,
nem tocar as impurezas que prevalecem.
É um cuidado comigo mesma,
para transformar o coração,
capacitá-lo a transmutar de plano.
É um zelo imprescindível;
pois a observação minuciosa
traz a cura a quem deseja ser curado.
Patrícia Campos


