Soou pela imensidão, o prantear dos sábios e justos, ecoando pelos quatro cantos do coração, mas o mundo se faz surdo. Tempestades trazem sua dor, as vozes que ecoam pelos trovões, a fúria que habita no espinho de uma flor, a essência escondida nas escuridões. Ao deitar-me ouço a indignação do céu, a tristeza dos guerreiros, lutam para derrubar o véu, mas não encontram sequer um herdeiro. Escorre pela sua tez a fala dos cegos, queimando sua pele como rastros de fogo, desencontra-se do universo, são raros os que refletem, muito pouco. Por isso o farelo da ceia tornou-se primordial, seu externo tão sem graça, mas sua alma carrega o transcendental, e enche de vida sua taça. Sua boca proclama o bem, e seus passos fazem jus as suas palavras, traços encontrados no além, desenhados como a simplicidade das águas. Sua fala tão singela, causa um grande alarme nos peitos sem vida, desenhou paisagem tão bela, que se repete dia após dia. Sabe o porquê de tamanha tristeza? Pela enorme luta dos puros, carrega nas costas a pobreza, daqueles que não querem se fazer justos. Observe os passos do mundo, e o raciocínio dita seu destino, não precisa ver no mais profundo, para prever seus tinos. Por isso ouço e choro com a chuva, escorrega sobre mim, mesmo sendo tão sútil como pluma, traz consigo a dor de cada fim. Sejamos justos e honestos, como um forasteiro divino deve ser, sejamos puros e sinceros, para dar lugar a um novo nascer. Que sequemos o chorar de cada peito brando, levantando a espada junto com o amanhecer, que nossa lâmina seja forjada com o mais puro canto, que clamou todo conhecimento para derrubar o anoitecer.
Por Luiza Campos


