Sutileza da vida

Mesmo que o sol não desponte e os dias cinzentos insistam em ficar, perceba que a vida lhe traz respostas. Ela está à porta na insistência discreta de querer entrar e fazer parte de ti. Te alimentar e se alimentar em sua casa, naquele que quer que ela entre e fique à vontade, que quer que ela faça parte dos infinitos momentos que passam e possam existir.
A vida é permanente e só se encontra com quem é consciente, com quem a quer presente. Não é visita inconveniente: só adentra a quem lhe abre a porta, a quem faz questão da sua permanência — não por conveniência, mas porque quer blindar a consciência de receber uma existência em si, pura e eterna. Afinal, de que vale ter a manifestação se não tiver no coração aquilo que é eterno?
Por aqui, neste lugar efêmero, as coisas vêm e vão. Depois que passam, não voltam mais, ficam para trás. Quando julgadas “boas”, insistem em ficar nas lembranças, trazendo a falsa esperança de um dia reviver aquilo que foi apenas um pedaço do caminho — o qual não passará nunca mais. São sentimentos vazios, sem fundamento e sem destino, os quais deveriam ser esquecidos para que novos momentos sejam vividos e, quiçá, mude o sentido, ensinando-nos o verdadeiro caminho, o qual se encontra no interior da alma.
É ele quem nos traz a verdadeira aura, mostrando-nos o que valemos, o que somos e a que viemos, para então nos encontrarmos com a vida, pela verdade e com alegria, nos tornando espelhos, manifestando sua cor — a qual é viva e carrega consigo a luz que traz o sentido das cores, ensina seus valores, nos guia no caminho das flores e nos arranca as dores que não pertencem a nós.

Patrícia Campos