Visão fria

Calorosos momentos causados pela carne: um abraço, um amor, uma decisão, um erro, a saudade. Quando se vive, se sente. Mas, como todos sabemos, tudo possui um limite, e com esses sentimentos não seria diferente. Há quem sinta muito por amor, outros sentem o peso das decisões, alguns sentem tanta saudade a ponto de não conseguirem passar um dia sem se ver. E, quando se sente demais, a carne domina a consciência. Amar, sentir saudade e ter certa preocupação são coisas naturais da carne. Porém, quando se conhece a verdade de Deus, passa-se a enxergar que tudo isso não deve ultrapassar o básico. Pois quem sente muita saudade cria ligações; quem sente muito amor alimenta desejos; e quem se preocupa excessivamente com o mundo acaba perdido. Tudo isso está ligado ao fato de a consciência servir à carne. Mas, quando a consciência passa a servir ao espírito, dentro do propósito de Deus, a visão perde esse calor extravagante e consegue avaliar, com frieza, o certo e o errado, o essencial e o extravagante. Assim, torna-se possível viver em harmonia com a vida, vivendo da maneira correta pela carne, realizando os princípios básicos necessários neste mundo, enquanto se serve a Deus, guiando a consciência à plenitude do espírito. E, para que essa mudança aconteça, é necessário possuir uma visão fria, capaz de deixar as ligações de lado, abandonar o calor excessivo da carne e posicionar friamente o coração no lugar correto: estar ligado ao propósito do Criador.

 

Por Luiz Gustavo