Tempo Perdido

De que valem as horas

que se perdem neste tempo finito?

Um tempo que não será contado,

apagado e esquecido

como as fotografias centenárias.

Quem as olha nada sente;

são apenas imagens,

sem significado algum.

Os ponteiros não contam nossa história,

apenas circulam, sem fundamento,

apressando-nos rumo ao nada.

Corrida em direção ao abismo…

Quem poderá conter este tempo

e vestir a eternidade

espelhada pela luz da sabedoria?

O dia passa e a noite chega,

trazendo a melancolia da incompreensão.

Quando pararemos este relógio

para entender que o tempo não nos serve,

senão para mostrar que não podemos mais

perder tempo com o tempo perdido?

É preciso fechar os olhos para fora

e abri-los para a imensidão interna.

Refletir a luz que transcende o peito,

capaz de nos transportar de planos,

tirando-nos da efemeridade,

conduzindo-nos à eternidade da vida.

Este tempo é apenas o berço

para nos encontrarmos,

para realizarmos o que nos foi confiado.

Através de nós, consciências,

atravessamos a cronologia,

deixando-a para trás como um ponto de partida

o início de uma trajetória infinita.

Que este seja o tempo de nos achar,

e não o tempo de se perder.

O tempo de encontrar o verdadeiro ser,

aquele que transcende os segundos

e resplandece dentro do infinito,

onde o tempo, enfim,

não precisa mais ser contado.

 

Patrícia Campos 

Tema Arthur

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