Eis aqui um trocadilho:
Morrer pela vida.
Deve-se andar no trilho
Para tornar-se infinda.
Quem consegue compreender
O que tal frase impõe?
A carne vai perecer,
Só o coração transpõe.
É incrível a possibilidade
De podermos trocar de planos;
Há de ter sensibilidade
Para não sofrer os danos.
Um dia este corpo cai
E a consciência ficará só.
O espírito dele sai,
E de ti não terás dó.
Sábio é aquele que raciocina
E enxerga que tudo aqui ficará para trás;
Que antes da morte se eterniza,
Não se tornando fugaz.
Só vive aquele que morre
Para tudo o que é finito;
Que não conta com a sorte,
Mas busca o seu paraíso.
Há de chegar o dia
Em que os olhos não se abrirão,
Já não se ouvirá melodia
E nem os pés caminharão.
Se andares com a sabedoria
E a acompanhares por esta jornada,
Colherás tanta alegria
Por toda esta caminhada.
É preciso respingar escarlate,
Não somente na representação;
A alma que não é ingrata
Renova o seu coração.
Na intenção de ganhar a vida
E não se apressar em morrer,
Pois só se ganha na lida
Quem não se preocupa com o que vai perder.
Afinal, o que se pode perder aqui,
A não ser o tempo que não volta mais?
Um dia iremos partir,
Se não nos unirmos ao espírito da paz.
Com ele nos fazemos um inteiro,
Ele é a nossa simetria;
No seu amor, o tempo é passageiro,
E a alma acorda em plena harmonia.
Patrícia Campos
Tema Luiz


