O tempo passou depressa, e você não soube perceber que a vida esteve sempre ao seu lado, acenando a todo instante para você. Seus olhos se fecharam para a vida, e sua visão se deturpou; sonhou com coisas superficiais e se afogou em seus desamores.
Um tempo perdido, uma corrida que chegou ao fim, uma trajetória sem propósito, pois não juntou tesouros nos céus, onde iria reinar sem fim.
Você, que ainda tem a chance, olhe para dentro de você, busque a vida a todo instante, porque é ela quem zela por você.
Tente silenciar tudo deste mundo e amplie sua visão; corrija seus passos incertos, para que eles não peguem a rota da ilusão.
Não se acomode neste velho tempo, mas mude o seu sujeito. Transforme-se da água para o vinho, para que corra o sangue nobre da vida dentro do seu peito.
Não queira mostrar sua aparência, pois ela não tem valor. Certifique-se de que tudo dentro de ti esteja em conformidade, florido com a beleza do amor.
Nosso espelho deve transparecer aquilo que carregamos, pois a justiça será conforme nossas obras, e nunca será por meio de justificativas.
Porque a hermenêutica das palavras pode até convencer, mas são os atos que manifestam o que se carrega em seu ser.
Esta bolha que você criou nunca tirará seus pés da prisão, pois você se conformou com este círculo vicioso, que jamais extinguiu esta ilusão.
Carregar o peso da consequência é deixar que os sentimentos tomem conta, porque a arrogância toma parte do seu peito e faz com que você não se exponha à vida.
O amor não prende e muito menos se condiciona; ele exige compreensão de ambas as partes para que a liberdade ganhe forma de asas e voe.
Não queira exigir aquilo que não pode entregar, pois o que a boca fala te condena quando seus atos exalam pelo ar.
Por Ítalo Reis


