À espera de um milagre

As regras desenhadas em rastros faziam os pés sentir o peso da morte e isto lhe traziam asas que a fazia levitar em pensamentos fortes. Uma balança grifada no coração, deixava seus olhos perceptíveis concentrar-se em avaliação onde suas questões chegavam a respostas incríveis. Então seus pés eram mantidos em retidão e caminhavam sobre os pontilhados da razão. Em um tempo curto e um descuido fez com que seu olhar se desviasse para as nuvens fantasiadas de paz, talvez por sua cor, e por isto, fora desenganada da verdade, desviando do caminho reto, encontrou-se na ilusão sem nenhuma explicação. Andou um bom pedaço sem direção, julgando estar certa, estando na contramão, perdida nas esquinas de sua vida. Entre uma hipnose e outra, mascaradas de palavras fúteis não percebia que sua bolha estava prestes a estourar e que seus cacos estilhaçados cortariam sua mão direita e que sua sangria desatada escorreria por seus olhos. Enfim chegou este momento, triste intento, lamento e desdobramento. Ninguém quer morrer a sangue frio, muito menos sentir a vida se debater nas próprias veias na esperança de um milagre, mas estava só e precisou conscientizar tamanha dor para que pudesse reagir. E assim o fez, dentre tanta insensatez, a ilusão se desfez, e enxergou em sua tez, sua face em embriaguez, foi aí que se refez em um sóbrio momento perfez, um sentimento de pesar, de tornar a se elucidar, ganhar nova chance para respirar e quem sabe tal milagre possa alcançar.

 

Patrícia Campos

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