Elas atravessam o peito, fazem sangrar a alma, e escorre a dor quando compreendidas e trazem paz aos que as abraçam carinhosamente. É importante ouvi-las se preciso for, repetidamente, são segurança quando proferidas com amor, porque trazem cuidado. Mas há também aquelas que vêm para ferir, pretensiosas afins de tirar a paz, de magoar sem culpa. Às vezes as recebemos e às vezes as proferimos, às vezes cuidamos, às vezes magoamos, fato é que somos responsáveis pelas palavras que saem de nossas bocas, e mesmo que num contra-ataque não podemos nos esquivar da nossa culpa, porque temos o poder de peneira-las através do raciocínio, domina-las através do auto domínio e administra-las através da coerência.
É importante termos o silêncio como aliado para ponderamos o que queremos ter no coração, porque se diz que a boca fala aquilo que o coração está cheio, então podemos avaliar o que está cheio o nosso coração e a partir daí discernirmos se o que queremos dizer nos torna libertos ou se as letras são o crime que cometemos e que não compensa. As letras são espadas e podem nos cortar do mal se a usarmos de maneira racional, e podemos dize-las a outros corações arrancando-os o mal também, o que não podemos fazer é usa-las a favor do que é prejudicial as almas, e nem usá-las de forma fingida, com sorriso no rosto, mas com a maldade no coração. Que elas sejam usadas para cortar todo o mal que queira nos derrubar, e que saibamos usa-las também para edificar não só a nós, mas a todos quanto pudermos, todos que nos cercam de alguma forma para que esta espada seja usada a favor do bem, nunca do mal.
Patrícia Campos


