Fonte de água viva X

Um simples casulo fora abraçado pelas asas da vida, e quando brotei como semente era a veia que pulsava seu verbo em minha essência, chovia em laços eternos em meu coração, um rio, uma cachoeira, fonte que jorra luz, vida e transparência. Enlaçou-me em cada gota que transborda em minh’alma, e fiz-me um com cada partícula de si, caí como chuva, escorri como cascata, nasci como fonte e dancei como as ondas. Maresia em dizeres puros, senti seu cheiro em meu corpo, correu em meus veios, tocou-me no solo e preencheu as nuvens. Está por toda parte, mas todos partem para longe de ti, e como cor em pétala, desbotou, desacreditou, escondeu-se nos desejos vazios. O rio calmo e sereno, secou, a maré livre e casta, secou, o céu carregado de vida, secou, e suas palavras cheias e ternas, tornaram-se flechas, e como mortais continuaram, o casulo fortificou-se como casa, sendo a casca que dantes deveria perecer, e hoje virou seu rosto. Ambiguidade em fonte, tão longínqua, mas tão próxima, lumia seus olhos, bombeia seu sangue, corre por seu corpo, mas não chega a sua alma. Borboleta, tenho algo a lhe dizer, se não há fonte não há vida, e seu casulo um dia irá ruir, borboleta, já percebeu que não tem asas? Sua liberdade está do lado de fora, por que insiste em rastejar nesta ilusão? Bela és a verdade, está em todo canto, em toda voz, em todo pranto, transparece por ser, axioma vivo que transborda em meu coração, quem bebe desta água e não se cansa de beber? Quem se fizer oceano será inteiro, sendo deserto a florescer.

 

Por Luiza Campos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

18 − 8 =