Submundo em pensamentos

Eu olho meu campo e vejo brotar o descontentamento, ao fundo ouço uma música suave onde diz, “queria mais de mim”, sim eu quero mais de mim, eu sei que posso mais. Minhas pernas estão pesadas e meus pés parecem ter calçado chumbo. Um longa-metragem que passa em câmera lenta, um submundo em pensamentos, muitos momentos, perdidos, sem lenço. Então retorno, um holofote que foca minha mente, buscando o presente, buscando o ciente, meu eu consciente. Não basta pensar, é preciso me organizar, buscar fundamento, sustento, a tese é viver, reinventar a esperança, a desistência não é resiliência, é fraqueza, por isso o envolvimento com a persistência é como um abraço que afaga, que deixa descansar. E a consciência do caminho te faz ver por onde andas, e o peso se anula por andar sob às águas, o conhecimento te faz levitar, e o que era peso se transforma em pena,  porque a sentença é uma só, o pó volta ao pó, mas por outro lado, ela pode ser leve por tratar-se de asas as quais sobrevoam o infinito, onde os pensamentos se tornam infindos, com sentido longínquo, inalcançável em contagem. Olho para o alto, do fundo, vejo a luz que permeia meu poço, ouço as águas que passam por meus pés, elas refrescam minha alma enchendo-me de expectativas, de entusiasmo, minhas ações instintivas por muitas vezes me deixam num marasmo, aflita, então sinto a necessidade de metamorfosear, me transformar no novo para que a perspectiva se aguce e o bem prevaleça, até que venha o transbordar do lume, para que algo novo aconteça, e que assim seja, que a sabedoria permaneça, nessa casa denominada consciência.

 

Por Patrícia Campos

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