Encontro com a morte

Olhei-me, e lá estava o tempo, seu caminho em minha tez e sua história em meus olhos, lá estava ele, radiando em meus cabelos e presente em minhas dores, em mim estava os ponteiros do tempo, o fim da ampulheta, um vestido velho, com buracos por toda parte, e lá se foi. Sentei na varanda, observei o céu, calei as vozes e percebi que andamos sempre olhando para o chão e esquecemos que estamos subindo uma ladeira, onde esteve meus pensamentos todo este tempo? O sol queimava minha pele, mudei de cadeira, a sombra agora trazia a brisa, enfim, sorri, já passara tantos anos e nunca percebi, eu agarrei o mundo, mas o mundo não me agarrou, estou caindo como um pássaro cansado que muito já voou, já aceitei o fim, mas ele não me aceitou, abracei a vida, mas a hora para abraça-la já passou, já aceitei meu destino, o que poderia fazer?

Quem foge do ceifeiro corre em círculos, vou findar meu tempo aceitando este ciclo, infelizmente, vivi assim, uma presa fugindo da realidade, mas agora, cansei de correr. O sopro foi-me dado, um belo fecho de luz, esperança, temperança, sorriso de criança, ali o tempo estava ao meu lado, sorridente, contente, meu amigo, companheiro, mas o tempo se foi com ele mesmo, trouxe em seus braços o mistério da morte, mas nunca havia percebido até olha-lo novamente, depois de tanto tempo encontrei o tempo fechando a torneira que transbordava em meu consciente. E sentado na varanda, com os braços cruzados, meu olhar já sem confiança e os sons calados, vi quem estava ao meu lado, havia chegado o momento não muito esperado, mas já fadado em todo começo, e perguntei-lhe: “posso ao menos despedir-me?” Sua resposta foi apenas balançar a cabeça, eu quis chorar, como eu quis chorar, mas já não podia mais, isto é um adeus, para todos que deixei para trás.

 

Por Luiza Campos

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