Oceano infinito, não há fim, não há início, não há chão, nem teto, há o infinito, coração profundo, mas quieto. Ninguém escuta as profundezas, são apenas murmúrios para as poças que alimentam, e toda esta beleza encontra-se no esquecimento. Não seria a ordem, insistir no raso, é a desordem que causam, não há mergulho, pisam, lameiam-se e voltam para seus cascos, casulos ocos, mentes vazias. Com toda a eternidade nas mãos, com toda possibilidade para o coração, escreve em sua história, frágeis memórias, que se ruir as cortinas terá a verdade risória, pequena e imprópria, o que toma conta são os “ses”, probabilidades tão vazias quanto sua alma, pois deveria transformar-se, era apenas se entregar, pois deveria ser, era apenas metamorfosear, mas o que “deveria” não fez parte dos dias, e as escolhas tomadas já contaram seu fim. O fundo clama, abissal que te chama, mas o tempo parou quando não ouviu, ele correu, mas não o alcançou, se disser que viveu, mentiu, pois vivo mesmo era apenas o som de seus batimentos, movidos pela ação emprestada do anjo que não viu. Enfim, insistiu, mas insistência no pecado apenas te leva ao vazio, o que era para ter consistência deixou para a sorte, mas não contava que o azar era quem a guiava para a foice da morte.
Por Luiza


