Talvez a luz não seja conveniente; talvez não traga aconchego àquele que recusa o próprio reflexo. Para quem evita o autoconhecimento, a escuridão torna-se o lugar propício: um espelho que não reflete a imagem, nem a luz, mas apenas a dor que o conduz.
A luz traz a cura. Ela dissipa a névoa que mantém a alma oculta de si mesma. No entanto, é preciso coragem para o enfrentamento e força para lutar contra os desejos íntimos que turvam a transparência e mancham a alma, como nódoa em tecido fino.
Há o receio da verdade. O medo de buscar no interior tudo aquilo que jaz oculto em lugares tão secretos que a própria alma finge esquecer. E, ao encontrá-los por descuido, vira o rosto para não encarar o que ali guardou.
A verdade não causaria medo se fôssemos genuínos; ela amedronta apenas quem não encontra prazer em possuí-la ou em ser parte dela. Aquele que ama a verdade caminha de peito aberto, sem esconderijos. Abriga a paz, cultiva a sensatez e sua versão é clara como a luz do dia — respira liberdade e sente sua própria alforria.
Dizem que a verdade dói, mas ela é o bálsamo da alma que se despe diante dela. Aquela que rasga as vestes da soberba para revestir-se de humildade, aprende, enfim, que ser verdadeiro é não mais se esconder atrás do engano que assola o coração.
Patrícia Campos


