Licença poética

Minha licença poética foi-se embora devagar, nem mesmo ela poderia declamar, tamanha grandeza, de fato, ninguém conseguiria desvendar, mas com ela peço licença, a todo peito sem colo, que pare lentamente suas loucuras e desavenças e olhe mais longe, mais longe deste solo. Toda poesia que baila nos versos sem palavras, cada entoar vivo que se instala no cantarolar dos passarinhos, cada toque de suas águas e cada laço neste caminho, transcendental que transcende desde o átomo até o maior astro estelar, desde o universo até o mar, tudo vive em mim, pela sabedoria de quem quer me habitar. Sou o lar do oculto para iluminá-lo e surgir a terra, produzida pelo ínfimo pó que depois de colhida o que fica torna-se quimera, vivo neste lindo ciclo da vida, encontrei-me neste centro de sabedoria, posso ser caos ou cais, que ancora maldade ou paz, estado espelho que manifesta o que lhe apraz, e venho aqui falar-lhe do que me veio e sussurrou, o tom eterno que me mostrou, além destes olhos tristes há luminescência incandescente que resplandece em minha alma, corre por meu carmesim e sustenta meu coração, a vida viva enlaça a felicidade e sua semente planta luz em minha escuridão. Licença, com licença Majestade, poderia eu pisar neste chão? Tirei minhas sandálias e abaixei minha visão, como poderia lumiar suas palavras nesta oração? Venha a mim e aprofunde-se em meu abissal, ruindo a lua para por fim surgir o dia, rasgue o véu e transpasse esta melancolia, aquieta minh’alma, aquieta a confusão, és equilíbrio em corda bamba e a saída da escravidão, tu és, oh! Senhor, a rocha de meu âmago, e agora mais do que nunca peço que segure minhas mãos, a força de minha casa e o afago de minha criança, o abraço que procuro na solidão e a voz que busco quando não encontro razão, minha companhia para toda eternidade, outra metade, simetria de minha imensidão. E a ti ofereço toda minha emoção, e dou-lhe meu ventre para que insemine seu sentimento, o filho da eternidade, o sobrenome que não se esvai com o vento, e assim meu senhor termino meu cântico que minha licença poética alcança, mas sei que não cabe em poucas águas, espero que aqueça algum canto desamparado e enxergue também que há esperança neste tempo amargurado.

Por Luiza Campos

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