O que eu temia me sobreveio, o que receava me acontece

Medo dos dias, dos laços desconhecidos, medo do próximo tempo que canta mudo, medos inacabáveis e aparentemente invencíveis, tantos medos, tantos erros, quem teme o amanhã? Temer o que não aconteceu é derrubar a espada antes de lutar, desacreditar da vida antes mesmo de enxergar, temem o que não tem, temem o que conquistaram, temem seus reflexos que mentem e tentam maquiar um sorriso falso, temem o que não deviam temer, não temem seus destinos, que esse sim, será triste quando acontecer, o dia a dia sempre irá florescer, enquanto vida ainda pode reverter, mas não agem por temer, o que poderia vir a nascer?

O que eu temia me sobreveio, o que receava me aconteceu, Jó desacreditou de Deus e caiu em suas desgraças, não precisa dizer, só apenas o ato de ter, ter no coração a desconfiança, um passo em falso e todo caminho reto se torna torto, ou melhor, uma “desinteção” já torna tudo despedaçado, um ato sem confiança. O que falta para fazer acontecer? Não seria apenas agir? A simplicidade de responder mostra que na verdade não há nada a temer, são muitos “mais” que impedem o verbo, muitos ais que dilaceram o peito, casa de pecado, dizem, e casa de pecado se fazem. O que somos sem vida? E por que nos fazemos sem ela? Um dia seu sopro irá com o vento, e seu ponteiro se ruirá com o tempo, choram pela glória de sua luz, e se esquecem que só podem ainda chorar porque ainda a tem, lamentos e lamentos, aonde vamos em meio tantos lamentos? Seus medos não deixam que caminhe, e seus erros são os ciclos que sua alma continua alimentando. O que teme seu coração?

 

Por Luiza Campos

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