Pequenos gravetos

O salgar que atravessa a janela faz arder o peito e a sabedoria professora nos ensina que devemos nos confinar, para cuidar da nossa casa, porque o que parece inofensivo é o disfarce do engano o qual vem trajado de um sorriso limpo, mas que no fundo esconde seu fel. Vejo espadas perfurando na tentativa de fazer sangrar cada vez mais, e o amor vai definhando não encontrado seu lugar de paz. Sou eu mesma que devo me cuidar e calçar a percepção nos meus pés para não sentir o frio que atravessa a coluna enquanto o vento sopra lá fora. Sou eu quem cuido do meu estado, sou eu quem deixo entrar quem quero, e o que não quero, sou eu quem devo expulsar para que o meu coração continue a pulsar. Não posso permanecer num soluço frio onde as lágrimas são sempre as mesmas porque o sol permanece sempre no mesmo lugar e posso ir ao seu encontro, sentir seus raios tocar meu hadal para que eu seja aquecida pela vida, porque tudo o que a mão toca e que o olho vê é como o gelo da Antártida e as doses de amor são como pequenos gravetos que acendem minha lareira interna deixando com que esta luz se espalhe por toda minha imensidão.

Cada centímetro de entendimento é um centímetro a mais andado, cada gole de discernimento, é menos um motivo de erro dado. É impressionante ouvir no silêncio a sabedoria, quando se almeja a liberdade, as renúncias não causam alegria, mas é preciso fazer a escolha certa para que haja o amanhã para nós.

 

Por Patrícia Campos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

vinte − quatro =