Visões do silêncio

É no silêncio da noite que tudo aparece, tudo vem à tona, de um passado distante até os dias de hoje, você estava lá e hoje está aqui ao mesmo tempo, quem eu era e quem eu sou, mas no fundo nada mudou.

Eu aprendi a conviver com o silêncio, ele assobia em meus ouvidos, às vezes no meio dele eu ouço uma voz distante, geralmente se lamentando como os cantos das seriemas.

Na escuridão dos meus olhos eu vejo criança correndo em disparada atrás do nada como que fugindo de uma surra por ter feito alguma coisa errada.

Vejo também uma grande cortina se abrindo e deixando o sol entrar, parece um dia de verão com as nuvens espalhadas formando algodões doces.

 

Tem uma porteira fechada lá no campo impedindo um cavalo passar, ele tenta de toda maneira até o tempo fechar, nuvens carregadas até alguém buzinar e eu entrar em choque com a realidade.

Levantei a cabeça para olhar, era um apressadinho querendo passar, voltei a deitar, mas com um pouco de ansiedade por ter que despertar.

Mas o clima era favorável e eu voltei a imaginar, fitei os meus olhos a contemplar, mas estava forçando e exclamei: assim não vai dar e voltei a me relaxar!

Deixei as emoções me levarem, a quietude, o breu nos olhos, e o silêncio voltou a assobiar, dei um tempo para o tempo e sem forçar voltei as imagens. Agora um homem suado numa serralheria a trabalhar, ele serrava tábuas, um lápis na orelha, um martelo na cinta e o pó da serra na cabeça.

Vi alguém trazendo café, uma bandeja de bolos que encheu minha boca de água, mas como num estalo de dedos tudo desapareceu, era eu virando o corpo para me ajeitar.

Foi tudo bem rápido e eu já vi um cantor a cantar, manejava bem o microfone e sabia dançar, era uma grande plateia, mas ele me olhava como que esperando eu aprovar.

Mas em seguida eu vi uma cena violenta, um homem meia estatura esfaqueando o seu oponente, não vi o caso para julgar, mas coloquei música para despertar.

 

Por O teu espírito diz